Pandemias do Século XXI

Pandemias do Século XXIA Associação Portuguesa dos Nutricionistas organiza mais um congresso de Nutrição e Alimentação. O tema central escolhido para este congresso foi “Pandemias do Século XXI”. Apesar de se entender por pandemia uma epidemia de tipo infecciosa que se dissemina pela população aglomerada numa dada região, a rápida proliferação de algumas doenças crónicas não transmissíveis permite entende-las de forma análoga, como é o caso da Obesidade, a Diabetes Mellitus e da Hipertensão.

A Obesidade é um flagelo que tem vindo a aumentar exponencialmente, atingindo assustadoramente as idades mais precoces, pelo que na conferência “Childhood Obesity Prevention Studies: Lessons learned and to be learned” iremos dar um especial destaque à importância da prevenção desta patologia como garantia da existência de adultos mais saudáveis no futuro. Neste campo a escola terá um papel preponderante, pois representa um espaço onde as crianças passam a maior parte do seu dia e um local por excelência para a aplicação de programas de educação para a saúde.
É também sabido que a alimentação assume uma grande amplitude, tocando em vários temas como é o caso do ambiente, pelo que o painel “Geofísica e Nutrição Humana” pretenderá traçar algumas perspectivas para melhor entender as relações entre a produção alimentar e a crise ambiental, bem como formas de atenuar os aspectos mais negativos.
Todavia, nesta área a grande preocupação é sempre percepcionar qual o melhor padrão alimentar a adoptar como garantia de saúde. Neste sentido, o padrão alimentar mediterrânico aparece como um legado histórico e cultural que identifica e distingue os seus territórios através de um aproveitamento dos recursos naturais que deles provêm, apresentando uma forma de alimentação reconhecida como protectora de diversas patologias, ou seja, promotora de saúde. Portugal poderia inserir-se neste modelo, mas devido à crescente ocidentalização dos hábitos alimentares verifica-se um consequente afastamento do padrão alimentar mediterrânico.
Por outro lado, a falta de tempo pressentida pela sociedade actual e a perda de interesse do consumidor pela confecção culinária, levam à procura de soluções rápidas e de conveniência. Desta forma, a procura de alimentos prontos a usar ou as refeições feitas fora de casa aumentam de número. A Mesa Redonda “Canal HoReCa: Serviço, Saúde e Satisfação” mostrará a abrangência desta questão e a crescente consciencialização pela problemática pelos diversos quadrantes, desde o consumir à empresa de restauração.

Outro aspecto importante a abordar neste contexto será a importância da Inovação Alimentar e a sua relação com a Saúde, dada a expansão de alimentos com características funcionais, pelo que o seu conhecimento se torna essencial. Neste sector, para melhor conhecer a identidade destes alimentos é importante alertar para a necessidade de se ter uma rotulagem rigorosa que ajude o profissional de saúde e em última instância o consumidor, neste sentido.
O congresso encerra com a alusão da transversalidade da profissão de Nutricionista no Sistema Nacional de Saúde, que se revela uma mais-valia para chegar de uma forma concertada e eficaz junto de toda a população. Por outro lado, serão também apresentadas as estratégias delineadas no campo da nutrição no panorama europeu, pelo que a conferência “Strategic Options for WHO Euro in the Area of Food, Nutrition and Physical Activity” mostrará a importância que a Organização Mundial da Saúde atribui a estes temas devido ao seu impacto na saúde. Importa reter que nunca é demais falar sobre os temas da Nutrição!

Alexandra Bento

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